Última atualização: 12 de outubro de 2026.
Quando a sombra de um logotipo, placar ou HUD de jogo continua visível qualquer que seja a imagem exibida, o nome disso é burn-in na TV, e o risco documentado pelos fabricantes recai sobre as telas OLED. Antes de dar o painel como perdido, desligue a TV pelo controle e deixe-a na tomada: depois de quatro horas acumuladas de uso, Samsung e LG rodam uma limpeza automática nesse momento. Se a marca ficar, rode uma vez a função manual (Atualização de Pixel na Samsung, Pixel Refresher na LG, Atualização do painel na Sony) e, sem melhora, procure a autorizada com nota fiscal e fotos.
Burn-in e retenção de imagem descrevem estágios diferentes do mesmo desgaste
O suporte da Samsung define burn-in como uma marca visível que fica na tela e permanece, não importa o que você esteja assistindo. A causa é a mesma da retenção: uma imagem fixa exibida por tempo demais força sempre os mesmos pixels. A diferença está na duração: a retenção some depois de um tempo ou de uma limpeza do painel, e o burn-in fica.
Nem todo fabricante separa as palavras. No guia de ajuda da Sony para TVs OLED só aparece a palavra retenção, acompanhada da frase “Esse problema não indica um defeito.” Por isso, o que orienta o seu diagnóstico é o comportamento da mancha ao longo dos dias.
Repare que isso é o oposto de uma imagem borrada, em que o desfoque quase sempre nasce na fonte do vídeo, no cabo ou no streaming, longe do painel. A marca de burn-in mora no painel e aparece por cima de qualquer entrada, aplicativo ou menu.
O risco de burn-in muda conforme o tipo de painel
No OLED, cada pixel gera luz própria a partir de material orgânico, que se desgasta de forma desigual quando um logotipo fica parado no mesmo lugar. Num comunicado de 2019 da Samsung, o burn-in aparece ligado justamente às telas de material orgânico, e as QLED da marca, de pontos quânticos inorgânicos, surgem como livres do efeito; trate isso como alegação da própria fabricante.
LED, QLED e Mini LED continuam sendo LCD com luz de fundo, e a tecnologia do painel decide contraste e comportamento no escuro. Nas páginas de suporte lidas hoje, não há funções anti-burn-in descritas para essas telas. No termo de garantia que a Samsung Brasil aplica a TVs LED e LCD, porém, imagem queimada aparece entre as exclusões.
| Tipo de tela | Risco de burn-in na palavra do fabricante | Função de cuidado documentada | O que evitar |
|---|---|---|---|
| OLED | Burn-in reconhecido pela Samsung; LG e Sony falam em retenção de imagem, ligada a imagem estática por longo período | Samsung: Pixel Shift, Ajustar brilho do logotipo, Screen Saver e Atualização de Pixel. LG: Screen Shift, Logo Luminance Adjustment, TPC e Pixel Refresher. Sony: Deslocamento de pixels e Atualização do painel | Logotipo de canal, placar, HUD de jogo, menu fixo de set-top box, barras pretas de filmes 4:3 ou 21:9, relógios e cores brilhantes por horas |
| LED/LCD | Não descrito nas páginas de suporte consultadas hoje | Nenhuma função específica documentada nas páginas lidas | Imagem estática por horas: o termo Samsung para LED/LCD também deixa imagem queimada fora da garantia |
| QLED/Mini LED | Imunes, na alegação da Samsung em 2019, por usarem pontos quânticos inorgânicos | Nenhuma função anti-burn-in descrita | Mesmo cuidado do LED |
| Plasma antiga | Fora de linha; nenhuma página ativa de fabricante sobre o tema foi encontrada hoje | Consulte o manual do seu aparelho | Logotipos e menus parados por longos períodos |
Como saber se é burn-in, retenção passageira ou outro defeito
Abra na TV uma foto sua de cor sólida, cinza médio ou branca, por pendrive, e olhe a tela de perto no escuro. Contorno de logotipo ou placar em tom mais apagado indica desgaste localizado, porque o fundo uniforme denuncia pixels que já não acendem igual aos vizinhos.
A confirmação vem com o tempo. Desligue a TV pelo controle, mantendo o cabo na tomada, e repita a foto no dia seguinte: nas OLED da Samsung, a otimização da tela roda sozinha após quatro horas ou mais de uso acumulado, leva de 10 a 15 minutos e não funciona com o aparelho fora da energia. Marca que enfraquece entre um dia e outro aponta para retenção; marca idêntica depois de dias e de uma limpeza manual aponta para burn-in.
Nem toda sombra é desgaste. Uma mancha na tela do PC pode vir do cabo, da porta, do driver ou da placa de vídeo, e a que nasce na conexão desaparece ao trocar o cabo ou a porta; o burn-in, ao contrário, fica no mesmo ponto em qualquer fonte, inclusive no menu de configurações da TV. Um ponto isolado que nunca acende, ou fica sempre aceso numa cor, sugere pixel com defeito, sem relação com imagem parada.
As proteções que a TV já roda sem você pedir
Imagem que parece andar alguns pixels numa OLED é proteção em funcionamento. Samsung, LG e Sony embutem nas OLED funções que movem a imagem e cuidam do painel quando a TV é desligada; Samsung e LG ainda baixam o brilho de logotipos fixos.
Samsung OLED
No suporte da Samsung para a África lusófona (no Brasil, o nome dos menus pode variar), o Pixel Shift move os pixels em intervalos regulares e deve ficar ativo para conteúdo com muitas imagens estáticas. A detecção de logotipo reduz o brilho só da área de um logotipo de emissora, nome de programa ou faixa de notícias, no caminho Menu > Configurações > Todas as configurações > Geral e privacidade > Cuidados com o painel > Ajustar brilho do logotipo, com as opções Desligado, Baixo (padrão) e Alto. O Screen Saver entra depois de 2 minutos de imagem estática ou sem sinal e não pode ser desativado.
LG OLED
A página de confiabilidade OLED da LG lista Screen Shift, que move os pixels da área estática, Logo Luminance Adjustment, que reduz a luminância de logotipos, e TPC (Temporal Peak Luminance Control), que ajusta o brilho de imagens paradas com alto risco. O Pixel Refresher roda sozinho quando a TV é desligada após mais de quatro horas acumuladas de uso; depois de 2.000 horas, faz uma passagem de cerca de uma hora, que pode mostrar linhas verticais na tela sem que isso seja defeito.
Sony OLED
Duas funções aparecem no material da Sony em português: Deslocamento de pixels, que move a imagem em intervalos fixos e deve ficar ativado em circunstâncias normais, e Atualização do painel. Desligar a TV diariamente por mais de quatro horas, pelo controle ou pelo botão liga-desliga, também consta desse guia como hábito contra a retenção.
Burn-in tem conserto? O que a limpeza manual consegue fazer
A limpeza manual foi pensada para retenção: na página de burn-in da Samsung, a orientação é rodá-la quando há retenção de imagem na tela. Na Samsung, o roteiro é Menu > Configurações > Todas as Configurações > Geral e privacidade > Manutenção do painel > Atualização de Pixel, com as opções Iniciar agora ou Iniciar após desligar a TV; reserva, gravação e reconhecimento de voz podem ficar indisponíveis enquanto ela roda.
Na LG, o caminho descrito na página canadense é Settings > Picture > OLED Panel Setting > Pixel Refresher, acessado segurando o botão de configurações do controle, e ligar a TV no meio do processo interrompe a função. Na Sony: Configurações Rápidas > Configurações > Tela e Som > Configurações avançadas do painel > Atualização do painel.
Repetir a limpeza não acelera nada e pode custar caro. No guia da Sony, a atualização manual fica reservada para quando a retenção estiver visível, no máximo uma vez por ano, porque pode afetar a vida útil do painel. Marca que resiste a uma passagem completa é caso de bancada, e abrir a TV por conta própria derruba a cobertura.
Como evitar marcas na tela no uso de todo dia
Brilho alto em área fixa é o que mais pesa. Para quem vê o mesmo conteúdo por muito tempo, os ajustes da página da LG são três: modo Eco, luz OLED baixa e ajuste de luminância de logotipo no nível alto. Menos luz nos mesmos pixels significa menos desgaste concentrado.
Para quem joga, o cuidado é maior. Eu sou daquelas que cresceu com o placar fixo no canto da tela do fliperama, e hoje são o minimapa, a mira, a barra de vida e o velocímetro do jogo de corrida que ficam parados horas a fio. No suporte da Samsung, esses mesmos elementos de interface aparecem como causa de burn-in. Com um console ligado na TV pela entrada HDMI, vale reduzir a opacidade do HUD nas opções do jogo, quando ele permite, e fazer pausas que tirem a tela estática do ar.
Barras pretas e menus parados também contam. Na lista de hábitos da LG entram desligar o menu de aparelhos externos que fica muito tempo na tela e ajustar a proporção em Picture > Aspect Ratio Settings > Aspect Ratio, com zoom vertical ou em todas as direções. Deixar a TV na tomada à noite garante que as rotinas automáticas rodem.
O que a garantia diz sobre imagem queimada na tela
No termo de garantia listado hoje na página da Samsung Brasil para “Televisores LED, LCD e Plasma”, a conta é de 90 dias de garantia legal e 9 meses de garantia adicional, num total de 1 ano.
Na lista de itens excluídos, o texto diz: “A garantia não cobre, entre outras hipóteses: (f) Ajustes, calibração de cores, customização, execução incorreta de operação, cobertas e prescritas no Manual de Instruções, incluindo a instalação incorreta de produtos (hardware) ou programas (softwares), imagens queimadas na tela em decorrência da exibição da mesma imagem por um período de tempo prolongado, bem como execução de reparos por qualquer um que não seja autorizado pela Samsung ou indicado pela Samsung;”.
Na LG Brasil, a garantia de televisores Plasma/LCD/LED/OLED é de 1 ano, somando 90 dias de garantia legal e 275 dias de garantia complementar. O aviso que acompanha esse prazo é este: “Informamos que se problema for identificado como não sendo defeito de fabricação (avaria, mau uso, problemas relacionados a condições de instalação, vírus, software não original ou fatores externos) os reparos ou instrução de uso do produto não serão cobertos pela garantia e estarão sujeitos a orçamentos, inclusive eventuais taxas de visita (se aplicável).” Burn-in não é citado nominalmente ali.
Acima do termo existe a Lei 8.078/1990. O art. 50 diz que “A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito.” O art. 18 responsabiliza os fornecedores por vícios de qualidade que tornem o produto impróprio ou lhe diminuam o valor e dá 30 dias para o conserto antes de o consumidor poder exigir troca, devolução do valor ou abatimento.
No art. 26, o prazo para reclamar de vício aparente em produto durável é de noventa dias, e, pelo § 3º, “Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.” Se uma marca é vício ou consequência de uso, quem define é a avaliação técnica, sem resultado garantido de antemão.
Exceção datada: a garantia de 10 anos contra burn-in anunciada pela Samsung em 2019 cobria QLED de 2017, 2018 e 2019 compradas oficialmente no Brasil, em uso doméstico e só para burn-in não intencional.
Quando chamar a assistência técnica e o que levar pronto
Marca igual depois de uma limpeza completa e de alguns dias justifica o chamado. Na Samsung, o prazo corre a partir da nota fiscal, e reparo feito fora da assistência técnica autorizada perde a cobertura; leve também modelo e número de série anotados. Na LG, a validação da garantia exige cópia legível da nota fiscal, e o reparo deve ser feito em serviço autorizado.
Chegue com provas. Fotografe a tela com a imagem de cor sólida, no escuro, e anote quando a marca apareceu, que conteúdo ficava parado ali e quais limpezas você rodou, com data. Esse registro sustenta o momento em que o defeito ficou evidente, que é o que conta para vício oculto.
2.000 horas de uso, o marco em que a LG dispara a passagem longa do Pixel Refresher, correspondem a cerca de um ano de TV ligada cinco horas por dia. Se a sua OLED já passou desse ponto e a mancha resistiu, o laudo da autorizada é o documento que decide entre garantia e orçamento — peça-o por escrito e só depois autorize qualquer troca de painel.
Perguntas frequentes
Por que o burn-in aparece mais em TV OLED?
Uma OLED 4K tem cerca de 8,3 milhões de pixels que geram luz por conta própria, com compostos orgânicos que perdem rendimento conforme trabalham. Quando um logotipo ocupa sempre a mesma região, aqueles pontos envelhecem antes dos vizinhos e passam a brilhar menos. Nas telas LCD, quem produz a luz é a iluminação traseira, distribuída por toda a área.
A marca de burn-in some com o tempo?
Desgaste permanente fica. O que costuma sumir sozinho é a retenção temporária, que as TVs atenuam nas rotinas feitas depois do desligamento. Observe a tela por alguns dias com a TV na tomada: sombra que vai clareando era retenção, sombra que não muda é sinal de dano no painel.
TV LED pode ficar com imagem queimada?
Fabricantes de TV LED não publicam, nas páginas consultadas, funções contra esse problema, e a Samsung chegou a anunciar suas QLED como imunes. Mesmo assim, “imagens queimadas” estão entre as exclusões do termo de garantia da marca para TVs LED, LCD e plasma no Brasil. Então cuidado com conteúdo parado também vale para quem não tem OLED.
Quanto tempo de imagem parada basta para causar burn-in?
Ninguém publica um número exato por modelo. Num texto da Samsung de 2019, o ponto de partida citado era de imagens estáticas reproduzidas, em média, por duas horas. Mais do que um cronômetro, pesa a soma: o mesmo canal de notícias ou o mesmo jogo, dia após dia, no mesmo canto da tela.
Rodar a limpeza do painel várias vezes resolve mais rápido?
Não ajuda e pode encurtar a vida da tela. Pelas orientações da Sony, a atualização manual só se justifica com retenção evidente e, mesmo assim, uma vez ao ano no máximo. Uma passagem completa já mostra o que dá para recuperar; o resto é diagnóstico da autorizada.
Fontes
- Samsung — O que fazer se você tiver burn-in no ecrã da sua TV Samsung OLED
- Samsung — Como solucionar problemas de retenção de imagem na TV Samsung OLED
- Samsung — Detecção de logotipo e Screen Saver nas TVs OLED
- Samsung — Pixel Shift nas TVs OLED
- Samsung Brasil — Página de garantia e termo de garantia de TV
- Samsung Newsroom Brasil — Burn-in ou retenção de imagem (2019)
- LG — OLED TV Reliability: prevenção e recuperação de retenção de imagem
- LG Brasil — Informações de garantia
- Sony — Guia de Ajuda: retenção de imagem em modelos com painel OLED
- Planalto — Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor)