Última atualização: 30 de agosto de 2026
Tire o celular da água, desligue-o e não conecte o carregador. Seque o exterior com um pano macio, retire o chip e o cartão, e deixe o aparelho num local arejado com o conector virado para baixo. A Apple desaconselha o saco de arroz e pede pelo menos 30 minutos antes de carregar; a secagem completa pode levar até 24 horas.
Os primeiros 60 segundos
Tire o aparelho da água e conte até sessenta. É nesse intervalo que se decide quase tudo, e a ordem importa mais do que a pressa. Aja nesta sequência:
- Desligue o celular. A Samsung é direta sobre o motivo: a umidade no aparelho ligado pode causar “sérios danos ou corrosão na placa-mãe”. Nos Galaxy sem bateria removível, o fabricante indica pressionar e segurar as teclas Abaixar Volume e Lateral simultaneamente por 3 a 4 segundos.
- Não conecte o carregador. A Apple avisa que carregar com o conector molhado pode corroer os pinos do conector ou do cabo, “o que pode causar dano permanente”.
- Não sacuda com força. Batidinhas leves na palma da mão, com o conector para baixo, bastam.
- Retire chip e cartão de memória. Para aparelhos sem resistência à água, a Samsung pede remover “rapidamente o cartão SIM, o cartão SD”.
O Google resume o mesmo roteiro para o Pixel em quatro passos: tirar da água, desligar, secar com pano macio e deixar terminando de secar em temperatura ambiente. Travou e o menu não abre? O desligamento forçado, com a combinação de teclas de cada marca, está em como desligar o celular.
Do minuto 1 ao 15: secar por fora com método
Com o aparelho desligado, o trabalho passa a ser mecânico e sem invenção. Use um pano seco, limpo e sem fiapos, insistindo nas bordas, nos botões e na bandeja do chip. A Samsung recomenda ser “especialmente minucioso” nas áreas por onde a água entra, como o conector do fone e a porta de carregamento.
Para o líquido preso na porta USB, a Samsung manda agitar o aparelho de 5 a 10 vezes com a porta virada para baixo, e escreve a ressalva na mesma página: “Excesso de força ou agitação poderá causar danos no telefone”. Feito isso, o celular vai para um lugar arejado e à sombra — um ventilador comum serve.
Água salgada e cloro mudam o relógio
Nem toda água é igual, e é essa diferença que muda a urgência do caso. Água doce evapora e vai embora; sal, cloro, sabão e açúcar ficam depositados na placa e continuam atacando o cobre depois de o aparelho estar seco. Daí um celular que caiu no mar falhar semanas mais tarde.
A Samsung trata isso como etapa própria: com bebidas, água do mar ou água clorada, “é extremamente importante remover a salinidade ou as impurezas o mais rápido possível”. A instrução oficial, para o aparelho já desligado e sem as peças removíveis, é mergulhar em água limpa por 1 a 3 minutos, enxaguar e só então secar.
A lógica de molhar de novo um celular que acabou de sair da água é de diluição: trocar um líquido corrosivo por um inerte. Aqui a pergunta é sobre o aparelho já molhado, não sobre o que o selo IP promete antes — para isso há celular à prova d’água.
A primeira hora: o alerta de líquido no conector
Aparece um aviso na tela, o carregamento trava e a impressão é de defeito. É o contrário: o iPhone detectou líquido no conector Lightning ou USB-C e bloqueou a carga para proteger o aparelho. A Apple lista os rótulos possíveis, entre eles Carregamento Indisponível e Líquido Detectado no Conector USB-C.
O prazo oficial, na documentação publicada em 8 de novembro de 2024, é escalonado: aguarde pelo menos 30 minutos antes de tentar carregar por cabo; se o alerta voltar, ainda há líquido no conector ou sob os pinos, e o aparelho deve ficar em área seca com fluxo de ar por até um dia. “Pode demorar até 24 horas para o iPhone secar totalmente” — é o que a Apple fixa nessa mesma página.
Duas saídas úteis nesse meio-tempo: o carregamento sem fio continua disponível com a traseira seca, e o iPhone oferece ignorar a detecção de líquido ao reconectar o cabo — recurso para uma urgência real, não para a pressa do dia a dia.
Nos Galaxy, o ícone de gota cumpre a mesma função e pode surgir sem queda nenhuma, só por ambiente muito úmido. Persistindo com tudo seco, a Samsung documenta uma limpeza de cache do serviço de USB, em texto atualizado em 29 de maio de 2026.
O saco de arroz, na palavra da Apple
A documentação oficial é explícita, e vale lê-la sem intermediários. No mesmo artigo sobre o alerta de líquido, a Apple escreve, na lista do que não se deve fazer: “Não coloque o iPhone em um saco de arroz. Pequenas partículas de arroz podem causar danos ao iPhone.”
O problema é duplo: o grão solta pó e amido nas aberturas, e não alcança a água que já passou para dentro da placa, que é justamente a que corrói. Samsung e Google tampouco citam arroz em suas instruções — os três fabricantes descrevem secagem ao ar, em temperatura ambiente.
A ejeção de água por som existe — só que no pulso
Existe mesmo uma função que expulsa água com som, e é aqui que a confusão nasce. Ela é oficial no Apple Watch: com o Bloqueio de Água ativo, ao segurar a Digital Crown até a tela mostrar Desbloqueado, “uma série de tons é reproduzida para retirar a água que permanece no alto-falante”, conforme o documento da Apple publicado em 25 de setembro de 2025.
Em celulares, nada disso se aplica. Nem a Apple nem a Samsung documentam ejeção de água por som em smartphones: as duas descrevem secagem manual, pano e ar ambiente. Aplicativos e sites que prometem “expulsar a água” do celular tocando um tom são de terceiros e não têm respaldo do fabricante.
Das 24 às 48 horas: a espera que salva o aparelho
Passado o primeiro dia, o aparelho ainda não está pronto para ser ligado, por mais seco que pareça. A Samsung avisa que “a umidade pode permanecer no dispositivo mesmo após o período de secagem, portanto, é melhor não ligá-lo” antes de uma verificação técnica.
Mantenha o aparelho num cômodo seco e ventilado, com o conector para baixo. Vinte e quatro horas é o piso indicado pela Apple; quarenta e oito são prudentes quando houve imersão de verdade. Voltando a ligar, um reinício normal do celular basta para ver como o sistema responde — nada de reset de fábrica nesta fase.
Os atalhos que arruinam o conserto
Seis ideias circulam em todo grupo de família e as seis pioram o quadro:
- Secador de cabelo ou ar quente: a Samsung escreve que tentar secar assim “pode danificá-lo”; a Apple pede não usar fonte externa de calor.
- Ar comprimido: vetado pela Apple e pela Samsung — a pressão empurra a água para dentro.
- Cotonete ou papel dentro do conector: a Apple é categórica sobre não inserir objeto estranho no conector — nem haste flexível, nem papel-toalha. A Samsung chega a sugerir o cotonete para secar as áreas externas por onde a água entra, mas entre as duas orientações vale a mais conservadora: passe o cotonete por fora, nunca dentro do conector.
- Forno, micro-ondas ou sol forte: calor externo, com o agravante de deformar bateria e vedação.
- Congelador: não evapora nada e cria condensação ao voltar à temperatura ambiente.
- Álcool ou produtos de limpeza: a Samsung lista sabão, detergentes, abrasivos e químicos entre o que não se deve usar.
Repare que carregar o aparelho molhado é o sétimo erro, e o mais comum de todos. Se depois de tudo isso a tela do Android ficar preta sem motivo aparente, o líquido provavelmente chegou onde não devia.
Garantia, assistência e os sintomas que demoram
O aparelho voltou a ligar e o uso parece normal. Falta tratar do que costuma pegar o leitor de surpresa. Resistência IP não é garantia. São coisas distintas: uma descreve um ensaio de laboratório, a outra é um contrato.
A Apple mantém um documento inteiro sobre isso, publicado em 29 de maio de 2026, e a frase de abertura não deixa margem: “O serviço para dano por líquido no iPhone ou iPod não está coberto pela garantia limitada de um ano da Apple”. O mesmo texto lembra que “é possível que você tenha direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor”. O Google escreve, na página do Pixel, que danos por causas externas como água “não são cobertos pela garantia”.
A verificação é feita pelo indicador de contato com líquido, o LCI: um adesivo branco ou prateado que fica vermelho ao encostar em água e que, segundo a Apple, não dispara por umidade ou temperatura dentro dos requisitos ambientais do produto.
Sobre quando procurar assistência, a Samsung é a mais taxativa: depois de secar ao ar, leve o aparelho encharcado a um centro de serviço “assim que possível”. Priorize isso se houve água salgada ou de piscina, se o som saiu abafado, se o microfone falha nas chamadas ou se a carga fica intermitente. E, se o celular não voltar mais, o que dá para resgatar depende do que estava sincronizado — o percurso da lixeira e do backup está em recuperar fotos apagadas do celular Samsung.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora para o celular secar por dentro?
Até um dia inteiro, segundo a Apple: 30 minutos antes da primeira tentativa de carregar por cabo e, se o alerta voltar, mais 24 horas de secagem. Depois de uma imersão real, 48 horas é margem mais segura antes do uso normal.
Posso colocar o celular no arroz?
Não, e a recomendação contrária está na própria documentação da Apple, que cita o risco de partículas do grão danificarem o aparelho. O método que os três fabricantes descrevem é o mesmo e não envolve nenhum absorvente: pano macio por fora, conector voltado para baixo e ar em temperatura ambiente.
Meu celular caiu na água e ainda funciona. Preciso me preocupar?
Sim, sobretudo se o líquido não era água limpa. O dano por corrosão é progressivo e pode demorar dias ou semanas para dar sinal. Fique atento a chamadas com voz abafada, câmera embaçada por dentro, botões que grudam e bateria que passa a durar bem menos do que durava antes da queda.
A garantia cobre celular molhado?
Não. Apple e Google afirmam na documentação oficial que dano por líquido fica fora da garantia, e um selo IP68 não muda isso — as duas coisas medem realidades diferentes. Vale insistir num ponto que a própria Apple registra: no Brasil, o Código de Defesa do Consumidor pode lhe assegurar direitos independentemente do termo de garantia do fabricante.
O que fazer se o aviso de umidade não sair da porta USB?
Espere secar por completo e não force o cabo; enquanto o aviso estiver ativo, o carregamento sem fio costuma funcionar com a traseira seca. Num iPhone em que o alerta aparece com qualquer cabo original mesmo estando tudo seco, a Apple orienta procurar serviço técnico.
Fontes
- Apple — Se um alerta de detecção de líquido for exibido no iPhone
- Apple — Os danos provocados por água ou outros líquidos no iPhone ou iPod não estão cobertos pela garantia
- Apple — Sobre a resistência a respingos, água e poeira do iPhone 7 e posterior
- Apple — Como usar o Bloqueio de Água e retirar a água do Apple Watch
- Samsung Brasil — Deixei meu Galaxy cair na água. E agora?
- Samsung Brasil — Resistência à água dos telefones Galaxy
- Samsung Brasil — Aparelho com Ícone de Água ou Mensagem de Umidade
- Google — Evitar danos causados pela água no smartphone Pixel
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