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Pendrive bootável no Linux: como criar passo a passo

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Carlos Eduardo
Última atualização: 31 jul 2026 · 13 min de leitura
Pendrive bootável no Linux: como criar passo a passo
Temas:Desempenho e problemas

Última atualização: 31 de julho de 2026.

Este guia é sobre criar um pendrive bootável Linux, ou seja, um pendrive que carrega uma distribuição Linux (se o seu caso for o Windows, temos um tutorial separado). Então, o caminho é sempre o mesmo: baixar a ISO no site oficial da distro, gravá-la com um programa como Rufus, balenaEtcher ou Ventoy e reiniciar o computador pelo menu de boot. Depois disso, o sistema abre direto do USB.

Porém, antes de gravar, vale conhecer os cuidados reais. Por isso, separamos abaixo o passo a passo de cada sistema e os avisos que quase ninguém dá.

O que é um pendrive bootável Linux e para que ele serve

Um pendrive bootável Linux é um pendrive preparado para ser reconhecido pela placa-mãe como dispositivo de inicialização. Assim, em vez de cair no sistema instalado no HD ou no SSD, a máquina inicia pelo USB. Então, isso resolve três situações:

  • Testar antes de instalar: quase toda distro oferece o modo live, em que o sistema roda pela memória RAM sem tocar no disco. Dessa maneira, você confere se o Wi-Fi e a placa de vídeo são reconhecidos.
  • Instalar o sistema: o próprio ambiente live traz o instalador, e o pendrive vira a mídia de instalação.
  • Resgatar um computador que não liga: com o sistema rodando pelo USB, dá para acessar o disco interno e copiar arquivos antes de formatar.

Aliás, esse terceiro uso é o mais subestimado. E, se a ideia for dar sobrevida a uma máquina antiga, combine isso com outras formas de melhorar o desempenho do PC.

Atenção: o pendrive é apagado por completo

Antes de qualquer passo a passo, esse aviso precisa ficar claro: gravar uma ISO apaga tudo o que está no pendrive. Não é uma cópia de arquivos, é uma reescrita do dispositivo inteiro, partições incluídas, sem lixeira e sem desfazer.

Por isso, tire do pendrive tudo o que importa e desconecte HDs externos e outros pendrives, já que a maior parte dos acidentes acontece na hora de escolher o dispositivo na lista. Confira também os outros requisitos:

  • Tamanho do pendrive: as ISOs de desktop das distros populares costumam passar de 2 GB, e por isso um pendrive de 8 GB dá conta com folga na maioria dos casos.
  • Baixe a ISO só do site oficial: imagens de Linux são livres e gratuitas, então não há motivo para pegar uma ISO em site de terceiros ou grupo de mensagens.
  • Confira a soma de verificação: os projetos publicam arquivos de checksum ao lado das imagens para confirmar que o download não veio corrompido nem adulterado. No Linux e no macOS, sha256sum ou shasum -a 256 mostra o código da ISO, que precisa bater com o do site oficial.
  • Pendrive em bom estado: se ele recusar a gravação, veja como resolver um pendrive protegido contra gravação antes de insistir.

Onde baixar a ISO das principais distros Linux

Então, o primeiro arquivo de que você precisa é a ISO da distro escolhida. Não citamos versões de propósito: a página oficial mostra sempre a atual.

Comparativo dos programas para criar pendrive bootável Linux

Assim, separamos as ferramentas que continuam ativas e mantidas hoje. Todas são gratuitas e de código aberto, ou seja, sem pagar nada e sem chave de ativação.

Ferramenta Sistema onde roda Grátis Ponto forte
Rufus Windows Sim, código aberto (GPLv3) Muitas opções, incluindo o modo DD, indicado para ISOs de Linux
balenaEtcher Windows, macOS e Linux Sim, código aberto Mesma interface de três etapas nos três sistemas; a opção mais simples
Ventoy Instalador para Windows e Linux Sim, código aberto Guarda várias ISOs no mesmo pendrive sem precisar formatar de novo
Criador de Disco de Inicialização Ubuntu e derivados Sim, já vem no sistema Nativo, indicado pela documentação do próprio Ubuntu
Comando dd Linux e macOS, pelo terminal Sim, já vem no sistema Não depende de instalar nada, mas é de longe o mais arriscado

Porém, vale dizer o que saiu da lista. O LinuxLive USB Creator, o famoso LiLi, foi oficialmente abandonado pelo desenvolvedor em dezembro de 2015, segundo aviso no site do próprio projeto. Por isso, ele não entra mais em nenhuma recomendação: uma ferramenta parada há uma década tende a falhar com as distros atuais.

Como criar pendrive bootável Linux no Windows com o Rufus

Então, se o seu computador roda Windows, o Rufus é o caminho mais direto: gratuito, de código aberto sob licença GPLv3 e com novas versões em 2026. Confira o tutorial que separamos:

  1. Primeiro, baixe o Rufus no site oficial rufus.ie. Há versão portátil, que roda sem instalar.
  2. Em seguida, conecte o pendrive já esvaziado e abra o programa, aceitando o pedido de permissão do Windows.
  3. Depois, confirme no campo Dispositivo qual pendrive está selecionado, conferindo nome e capacidade. É aqui que os enganos acontecem.
  4. Então, clique em Selecionar, aponte o arquivo ISO e deixe as demais opções como o programa sugerir: ele ajusta sozinho a partição e o sistema de destino.
  5. Por fim, se aparecer a escolha entre modo ISO e modo DD, opte pelo modo DD quando a distro recomendar; então clique em Iniciar, confirme o aviso de destruição dos dados e aguarde a barra chegar ao fim.

Vale lembrar que este guia trata de Linux. Assim, se o que você precisa é criar um pendrive bootável no Windows com o próprio Windows dentro, o processo é diferente e está em outro tutorial do blog.

Como criar pendrive bootável Linux no próprio Linux

Porém, se você já usa Linux, comece pelo que já vem no sistema. No Ubuntu e nos derivados, o Criador de Disco de Inicialização é a forma indicada pela documentação oficial: procure-o no menu de programas, confira a imagem de origem, escolha o pendrive de destino e confirme. Em outras distros, o utilitário de Discos do GNOME faz o mesmo pela função de restaurar imagem de disco.

Já o balenaEtcher é a opção multiplataforma: mantido pela balena, de código aberto, com versões novas em 2026 e a mesma tela no Linux, no Windows e no macOS.

O comando dd: poderoso e sem rede de segurança

Então, chegamos ao dd. Ele escreve exatamente o que você mandar, onde você apontar, sem confirmação e sem desfazer. Portanto, se você errar a letra do dispositivo, ele apaga o disco interno com sistema e arquivos. Por isso, identificar o dispositivo não é opcional:

  1. Primeiro, com o pendrive desconectado, abra o terminal e execute lsblk. Anote os dispositivos que aparecem: são os discos internos, e nenhum pode ser o alvo.
  2. Em seguida, conecte o pendrive e execute lsblk outra vez. O dispositivo novo, cujo tamanho bate com a capacidade do pendrive, é o alvo correto.
  3. Depois, confirme duas vezes nome e tamanho. Se o pendrive é de 16 GB e o dispositivo mostra perto de 14,5 GB, é ele; se mostra 500 GB, é o disco interno e você precisa parar agora.
  4. Então, desmonte as partições com sudo umount /dev/sdX1, trocando o X pela letra correta. Não formate antes: o dd reescreve tudo sozinho.
  5. Depois disso, grave apontando para o dispositivo inteiro, e não para uma partição: sudo dd if=caminho/da/imagem.iso of=/dev/sdX bs=4M status=progress oflag=sync.
  6. Por fim, espere o comando terminar sozinho e rode sync antes de remover o pendrive. O terminal fica em silêncio boa parte do processo, e isso é normal.

Assim, se essa sequência te deixou desconfortável, use o balenaEtcher. Afinal, não há vantagem prática no dd quando existe alternativa gráfica com confirmação no meio.

Ventoy: várias ISOs no mesmo pendrive bootável Linux

Então, essa é a novidade mais interessante dos últimos anos. O Ventoy inverte a lógica de tudo o que foi explicado até aqui: em vez de gravar uma ISO por vez e formatar o pendrive a cada troca, você instala o Ventoy uma única vez e depois só arrasta os arquivos ISO para dentro dele.

Dessa maneira, na hora de dar boot, ele mostra um menu com todas as imagens gravadas e você escolhe qual iniciar. Assim, dá para carregar Ubuntu, Mint, Fedora e uma ferramenta de diagnóstico no mesmo dispositivo. O projeto é de código aberto, o site oficial é ventoy.net e ele seguiu publicando versões em 2026.

  1. Primeiro, baixe o pacote do Ventoy no site oficial ou na página de releases do projeto no GitHub.
  2. Em seguida, extraia o pacote e abra o instalador: no Windows é um executável com interface; no Linux, um script.
  3. Depois, selecione o pendrive e confira nome e capacidade, porque essa etapa também apaga o dispositivo inteiro.
  4. Então, clique em instalar e confirme os avisos. É rápido, já que ele só prepara a estrutura de boot.
  5. Por fim, abra o pendrive no gerenciador de arquivos e copie para dentro dele quantas ISOs couberem, sem renomear nem criar pasta.

Com isso, para trocar de distro basta apagar uma ISO e copiar outra. Vale ressaltar que o instalador é feito para Windows e Linux, então quem só tem Mac precisa preparar o pendrive em outra máquina.

Como criar pendrive bootável Linux no macOS

Assim, no Mac o caminho razoável é o balenaEtcher, com versão oficial para macOS distribuída gratuitamente na página do projeto. Ele continua mantido pela balena e recebeu atualizações em 2026, o que já responde à dúvida mais comum sobre ele estar abandonado.

  1. Primeiro, baixe a ISO no site oficial da distro e confira a soma de verificação com shasum -a 256 caminho/da/imagem.iso no Terminal.
  2. Em seguida, baixe o balenaEtcher em etcher.balena.io, abra o programa e clique em Flash from file para apontar a ISO.
  3. Então, clique em Select target e escolha o pendrive. O macOS pode avisar que o disco não é legível: ignore e não clique em inicializar, porque isso é esperado com imagens de Linux.
  4. Por fim, clique em Flash, digite a senha de administrador e aguarde a verificação terminar antes de ejetar o pendrive.

Vale salientar que iniciar Linux a partir de um Mac depende do modelo e do chip. Portanto, montar a mídia no Mac para usar em outro computador é o cenário mais tranquilo.

Secure Boot e como dar boot pelo pendrive

Então, com o pendrive bootável Linux pronto, o computador ainda precisa ser avisado para iniciar por ele. Por isso, existem dois caminhos: o menu de boot pontual e a ordem de inicialização da UEFI.

O menu de boot é o mais prático, porque vale só para aquela vez. Assim, desligue o computador, ligue de novo e aperte repetidamente a tecla do menu de inicialização nos primeiros segundos. Ela varia conforme o fabricante e costuma ser F12, F9, F11 ou Esc; a própria tela inicial normalmente indica qual é. Depois, escolha na lista a entrada com o nome do pendrive, que aparece com termos como USB ou UEFI. Já se ele não aparecer, entre na configuração da UEFI, também chamada de BIOS, e coloque o dispositivo USB acima do disco interno na ordem de inicialização.

O que é o Secure Boot

O Secure Boot é um recurso da UEFI que só permite iniciar softwares assinados digitalmente por chaves em que o firmware confia, impedindo que um código malicioso seja carregado antes do sistema operacional. Portanto, é uma proteção legítima, não um obstáculo contra o Linux.

Assim, as distribuições grandes resolveram isso com um componente chamado shim, assinado por uma autoridade reconhecida pelos firmwares, que valida o restante da cadeia de inicialização. Por isso, distros como Ubuntu e Debian iniciam normalmente com o Secure Boot ligado. Porém, com distros menores pode ser preciso desativá-lo temporariamente: nesse caso, reative depois e consulte antes a documentação oficial da distro.

O que fazer depois que o Linux abrir pelo pendrive

Então, com o sistema em modo live, teste tudo antes de instalar. Assim, você descobre problemas de compatibilidade agora, e não depois de apagar o sistema antigo.

  • Rede: conecte no Wi-Fi e confirme que a placa foi reconhecida.
  • Som e vídeo: reproduza um vídeo e ajuste a resolução da tela.
  • Periféricos: teste touchpad, teclado, webcam e a impressora.
  • Navegação: abra a internet e escolha entre os melhores navegadores para Linux.

Vale ressaltar ainda que o modo live não guarda nada por padrão: ao desligar, as alterações somem. Portanto, salve em outro dispositivo qualquer arquivo criado no teste. E, se o plano é migrar de vez, faça backup completo, porque instalar um sistema novo exige o mesmo cuidado de antes de formatar um aparelho.

Perguntas frequentes

Qual o melhor programa para criar pendrive bootável Linux?

Depende do sistema que você usa agora. No Windows, o Rufus é o mais completo; em qualquer sistema, o balenaEtcher é o mais simples, com a mesma interface nos três. Já para várias distros no mesmo pendrive, o Ventoy é a escolha mais prática.

Criar um pendrive bootável Linux apaga tudo o que está nele?

Sim, a gravação de uma ISO reescreve o dispositivo inteiro e apaga todas as partições e arquivos, sem lixeira e sem desfazer. Por isso, salve o conteúdo do pendrive em outro lugar antes de começar. A exceção parcial é o Ventoy: ele apaga o pendrive só na instalação inicial.

De quantos GB precisa ser o pendrive para instalar Linux?

Isso varia conforme a distribuição, já que cada projeto publica imagens de tamanhos diferentes. Na prática, um pendrive de 8 GB atende com folga as ISOs de desktop mais populares. O jeito seguro de decidir é olhar o tamanho do arquivo informado na página oficial da distro.

Preciso desativar o Secure Boot para usar um pendrive bootável Linux?

Na maioria dos casos não. Distribuições grandes usam um componente assinado, chamado shim, que permite iniciar normalmente com o Secure Boot ligado. Porém, com distros menores ou imagens personalizadas pode ser necessário desativá-lo temporariamente na UEFI; nesse caso, consulte a documentação oficial da distro e reative depois.

Posso usar o mesmo pendrive bootável Linux em vários computadores?

Sim, o mesmo pendrive serve para quantas máquinas você quiser, desde que a arquitetura seja compatível, o que normalmente significa computadores de 64 bits. Assim, dá para testar o sistema em vários aparelhos e resgatar arquivos de um PC que não liga. Só lembre que a tecla do menu de boot muda conforme o fabricante.

Fontes


Carlos Eduardo
Carlos Eduardo

Carlos Eduardo é engenheiro em formação, escritor e tradutor freelancer (fluente em 4 idiomas), na equipe do Dicas Zone desde 2024. Especializado em Windows, Mac, software, ferramentas online e segurança, escreve tutoriais didáticos e guiados, passo a passo. Nas horas livres, gosta de jogar xadrez e observar a natureza.

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