dicaszone
Android

DNS do Google 8.8.8.8: o que ele faz de verdade e como configurar

AJ
André Janes
Última atualização: 8 ago 2026 · 16 min de leitura
DNS do Google 8.8.8.8: o que ele faz de verdade e como configurar
Temas:Desempenho e problemasSegurança e privacidadeStreaming e entretenimento

Última atualização: 8 de agosto de 2026.

O DNS do Google é um serviço gratuito de resolução de nomes que atende nos endereços 8.8.8.8 e 8.8.4.4, e nos endereços IPv6 2001:4860:4860::8888 e 2001:4860:4860::8844. A função dele é uma só: traduzir o nome do site no endereço IP do servidor. Ele não aumenta a velocidade que você contratou, não é VPN, não torna a sua navegação anônima e não filtra conteúdo adulto. A própria Google documenta que registra o IP de quem consulta e o apaga em 24 a 48 horas, salvo casos de segurança e abuso.

O que é o DNS do Google e o que o 8.8.8.8 faz de verdade

Quando você digita o nome de um site, alguém precisa descobrir em qual servidor esse nome mora. Quem faz isso é o resolvedor de DNS, normalmente o da sua operadora. Trocar para o DNS do Google significa, nas palavras da documentação oficial, mudar o “operador da mesa telefônica” do seu provedor para a Google.

Os endereços são públicos e não mudam: 8.8.8.8 e 8.8.4.4 no IPv4; 2001:4860:4860::8888 e 2001:4860:4860::8844 no IPv6. Alguns aparelhos não aceitam a forma abreviada com :: e exigem os oito campos por extenso.

Dois pontos que a documentação deixa explícitos e quase nenhum tutorial repete: a ordem dos endereços é indiferente, mas não se deve repetir o mesmo endereço nos dois campos; e não existe SLA, nenhum acordo de nível de serviço.

O que muda e o que não muda quando você troca para o 8.8.8.8

Aspecto O que a documentação oficial diz Consequência prática
Velocidade contratada Nenhuma página promete aumento de banda Os megabits do seu plano continuam os mesmos
Tempo de resolução de nomes Cache distribuído, anycast e servidores no mundo todo Pode melhorar ou piorar, conforme o DNS do provedor
Registro do que você consulta Logs temporários com IP e consulta, apagados em 24 a 48 horas, salvo casos de segurança e abuso A Google passa a ver as suas consultas
Anonimato diante do provedor Só perguntas e respostas de DNS ficam protegidas Não é VPN e não esconde a navegação
Filtro de conteúdo adulto ou malware “Não faz bloqueio ou filtragem de nenhum tipo”, salvo exceções raras Não serve como controle parental
Anúncio em domínio inexistente Devolve sempre NXDOMAIN, nunca um servidor de anúncios Fim da busca patrocinada na página de erro
Domínios internos de empresa Pode limitar o acesso a domínios privados da rede No computador do trabalho, consulte a TI

O DNS do Google deixa a internet mais rápida?

Este é o primeiro mito, e ele precisa ser desmontado com precisão. Trocar de resolvedor não muda a banda que você contratou. Um plano de 300 Mbps continua sendo de 300 Mbps depois de digitar 8.8.8.8.

O que pode mudar é outra coisa: o tempo de resolução de nomes, os milissegundos entre o toque no link e o início do download. A página de desempenho da Google atribui essa demora à distância até o resolvedor, ao congestionamento e, sobretudo, ao cache miss, quando a resposta não está guardada e é preciso consultar outros servidores. Os números que ela publica vêm de medições do rastreador Googlebot: 130 ms de tempo médio de resolução para servidores que respondem, 4% a 6% de requisições que estouram o tempo limite e, contando falhas, 300 ms a 400 ms de média real ponta a ponta. São dados sobre a latência do DNS em geral, não uma promessa para o seu aparelho.

A documentação admite ainda um efeito contrário: sites de streaming hospedados em CDNs devolvem o servidor mais próximo do resolvedor, não do usuário, e quando o resolvedor está longe “a experiência de navegação pode ficar um pouco mais lenta”. Se o seu incômodo é vídeo que trava, comece pelo diagnóstico de quando a Netflix fica travando.

O DNS do Google esconde o que você acessa?

Este é o mito perigoso, porque quem acredita nele muda de comportamento achando que está protegido. O DNS público da Google não é uma VPN, não criptografa a sua navegação por si só e não torna você anônimo. A empresa publica uma política de privacidade específica do Public DNS, com dois tipos de registro:

  • Logs temporários. São os únicos que guardam ao mesmo tempo o seu endereço IP e a sua consulta. Estão sujeitos aos processos de exclusão em 24 a 48 horas, e a Google diz que pode retê-los por mais tempo unicamente para tratar segurança e abuso.
  • Logs permanentes. São uma amostragem dos temporários em que o seu IP é removido e substituído por uma localização de cidade ou região — nunca mais específica que 1 km² e mil usuários. Guardam o domínio consultado, o tipo e o tamanho da requisição, o protocolo, o código de resposta e o horário.

A Google declara que não usa essas informações para segmentar anúncios, que não as correlaciona com o seu uso de outros serviços — exceto para tratar segurança e abuso — e que nenhum dado fica associado a uma conta Google. Nada disso equivale a anonimato: você apenas troca quem enxerga as suas consultas, sai o provedor e entra a Google.

DNS over TLS e DNS over HTTPS: até onde vai a criptografia

A Google oferece dois transportes criptografados, DNS over TLS (DoT) e DNS over HTTPS (DoH), e é direta sobre o problema que eles resolvem: o DNS tradicional viaja por UDP ou TCP sem criptografia, o que o deixa vulnerável a espionagem e falsificação.

No DoT, o cliente configura o nome do servidor — dns.google — e abre uma conexão TLS na porta 853. No perfil estrito o certificado é verificado e, se a conexão falhar, não há resolução; no perfil oportunista não há verificação de identidade e o cliente cai para a porta 53 sem proteção.

O limite está escrito na Central de Ajuda do Android e é a frase mais importante deste artigo: “o DNS particular ajuda a proteger somente perguntas e respostas de DNS. Ele não protege nada além disso.” Criptografar o DNS impede que alguém no caminho leia ou altere a consulta; não esconde o resto da conexão nem substitui uma VPN.

O que o 8.8.8.8 bloqueia — e por que ele não é controle parental

Se você chegou aqui procurando barrar conteúdo adulto no aparelho dos filhos, a resposta oficial é clara. Perguntada se permite bloquear ou filtrar sites indesejados, a Google responde que o serviço não faz bloqueio nem filtragem de nenhum tipo, com duas exceções: proteger seus usuários de ameaças de segurança e cumprir obrigação legal. E acrescenta que a filtragem funciona melhor no lado do cliente, com um aplicativo ou uma extensão de navegador.

Sobre a segunda exceção, a Google mantém uma página de comportamento de bloqueio em que diz cumprir ordens judiciais e governamentais exigíveis em jurisdições determinadas, e lista quais são: Bélgica, França, Índia, Itália e Portugal. O Brasil não aparece nessa lista. Havendo bloqueio, a resposta traz o código DNS REFUSED, opcionalmente com o erro estendido 16 (Censored). Isso descreve o que a Google faz, não o que é permitido a você: no Brasil, ordens judiciais de bloqueio são cumpridas pelas operadoras, e trocar de resolvedor não é caminho legítimo para descumprir uma decisão da Justiça brasileira.

Como configurar o DNS do Google no Windows 11 e no Windows 10

Antes de mudar qualquer coisa, anote os endereços de DNS configurados agora. A recomendação é da própria Google: se você digitar um número errado, o computador para de abrir sites, e sem os valores antigos a volta atrás fica bem mais difícil. A Microsoft documenta o caminho pelas Configurações, válido para Windows 10 e Windows 11. Aja nesta ordem:

  1. Vá em Iniciar > Configurações > Rede e Internet.
  2. Para rede sem fio, selecione Wi-Fi > Gerir redes conhecidas e escolha a rede. Para cabo, selecione Ethernet.
  3. Ao lado de Atribuição de IP, selecione Editar.
  4. Em Editar configurações de IP, escolha Manual e ative IPv4.
  5. Preencha os campos que a Microsoft lista nessa tela: Endereço IP, Máscara de sub-rede e Gateway.
  6. Nas caixas DNS preferencial e DNS alternativo, digite 8.8.8.8 e 8.8.4.4.
  7. Se quiser, ajuste DNS através de HTTPS entre Desativado, Ativado (modelo automático) e Ativado (modelo manual). A Microsoft registra que essa configuração não está disponível no Windows 10.
  8. Selecione Salvar.

Dois avisos honestos: a página brasileira da Microsoft é uma tradução e mistura termos de Portugal em alguns rótulos — publica “Gerir redes conhecidas” e chama de “Definições” o que a sua tela mostra como “Configurações” —, então procure o item equivalente na sua tela; e essa rota fixa o IP da máquina.

Há um caminho alternativo, também oficial, que mexe apenas no DNS: a Google documenta a rota pelo Painel de Controle > Rede e Internet > Central de Rede e Compartilhamento > Alterar as configurações do adaptador, botão direito no adaptador, Propriedades, Protocolo IP Versão 4 (TCP/IPv4) e Usar os seguintes endereços de servidor DNS — exemplo apresentado como sendo do Windows 10. Duas fontes oficiais, dois caminhos: use o que corresponder à sua tela.

Como configurar no Android: o DNS particular vale para todas as redes

Aqui mora a confusão que a maioria dos tutoriais brasileiros ignora. No Android existe um ajuste de sistema chamado DNS particular, e ele não aceita endereço IP. Digitar 8.8.8.8 nesse campo não funciona: ele pede o nome do host do provedor, que a Google documenta como sendo dns.google. O caminho, conforme a Central de Ajuda do Android em português:

  1. No dispositivo, abra o app Configurações.
  2. Toque em Rede e Internet > DNS particular. Se não encontrar, pesquise por “DNS particular”; se ainda assim não aparecer, a Google orienta procurar o fabricante do aparelho.
  3. Selecione entre Desativado, Automático e Nome do host do provedor de DNS particular.
  4. Escolhendo a terceira opção, digite dns.google.
  5. Toque em Salvar.

Três detalhes mudam o resultado. O DNS particular usa DNS over TLS e a Google documenta a configuração para Android 9 (Pie) ou superior; em versões anteriores a alternativa é configurar o DNS de cada rede Wi-Fi manualmente. Por padrão o aparelho já usa o DNS particular nas redes compatíveis, e a Central de Ajuda recomenda deixá-lo ativado. E a Google adverte que, no Android 9, aplicativos de VPN e “DNS changer” sobrepõem o DNS particular — uma limitação que a própria documentação diz ter sido corrigida no Android 10.

A diferença que importa: esse ajuste vale para o sistema inteiro — Wi-Fi de casa, Wi-Fi do trabalho e também os dados móveis. Não é o mesmo que trocar o DNS de uma rede Wi-Fi específica.

Como configurar no iPhone e no iPad: vale só para aquela rede Wi-Fi

No iPhone acontece o contrário do Android. O caminho documentado pela Google é:

  1. Vá em Ajustes > Wi-Fi.
  2. Toque no ícone ao lado da rede Wi-Fi que quer alterar.
  3. Role até a seção de DNS e toque em Configurar DNS.
  4. Toque em Manual, adicione 8.8.8.8 e 8.8.4.4 e, se quiser, remova os servidores padrão.

Voltar a opção para Automático restaura o servidor indicado pela rede — é a marcha a ré, e ela é imediata.

O limite está na nota da própria Google: essa mudança vale apenas para aquela rede Wi-Fi, não para as outras redes salvas nem para os dados móveis. Para que todas as redes de casa usem a mesma configuração, a melhor opção é mexer no roteador; para valer nos dados móveis, a documentação aponta um aplicativo de VPN que permita definir o servidor DNS, recomendado só a usuários avançados. A mesma lógica vale quando você compartilha a internet do iPhone.

Como configurar no roteador — e quando o provedor não deixa

Mudar no roteador aplica o DNS do Google a todos os aparelhos da casa de uma vez, incluindo TV e console. Como cada fabricante usa uma interface diferente, a Google descreve o procedimento em termos genéricos: abrir o console de administração pelo navegador, entrar com a senha, localizar a tela de servidores DNS, anotar os endereços que estiverem lá e substituí-los. Para isso você precisa estar na rede e ter as credenciais do painel; se esse é o seu problema, o caminho passa por recuperar a senha do Wi-Fi, e boa parte disso dá para resolver a partir do próprio celular.

Existe uma barreira que nenhum tutorial resolve: a Google registra que alguns provedores fixam os próprios servidores DNS no equipamento que fornecem e que, nesses aparelhos, não dá para configurar o DNS do Google. A saída documentada é configurar cada aparelho individualmente.

Como testar o resultado e como voltar atrás

A documentação propõe um teste em três etapas, e a terceira já é a saída de emergência:

  1. Abra um nome de site no navegador. Se carregar, feche-o, abra de novo e atualize algumas vezes para garantir que a página não veio do cache.
  2. Digite um endereço IP fixo direto na barra do navegador. Se o IP abre mas o nome não, o problema está na configuração que você acabou de fazer — revise cada campo.
  3. Desfaça as alterações e repita os testes. Se continuar sem funcionar, o problema é da sua rede, e a orientação oficial é procurar o provedor.

Comparar só o ping não diz nada: um provedor com ping de 20 ms e resolução média de 500 ms dá 520 ms no total, enquanto um serviço com ping de 300 ms que resolve nomes em 1 ms dá 301 ms.

Quase nenhum tutorial dá a marcha a ré, e ela é o que separa um ajuste inofensivo de uma tarde perdida. Se você não tinha DNS personalizado antes, volte à mesma tela e escolha obter os endereços automaticamente, ou apague os da Google; se tinha endereços anotados, digite-os de novo pelo mesmo caminho. No Android, o retorno é Automático ou Desativado em DNS particular; no iPhone, trocar Manual por Automático em Configurar DNS; no Windows, devolver Atribuição de IP para Automático (DHCP).

Quando não vale a pena trocar o DNS

Há cenários documentados em que a troca não ajuda:

  • No computador do trabalho. Algumas redes corporativas dão acesso a domínios que não existem fora dali, e a Google avisa que o serviço pode limitar esse acesso; consulte a política da TI antes.
  • Se você quer filtro de conteúdo. O serviço não filtra, e a própria Google sugere um aplicativo ou extensão no lado do cliente.
  • Se o seu DNS atual já é rápido. A Google não afirma ser sempre melhor que o provedor: convida a testar e a considerar velocidade, confiabilidade e segurança.
  • Se você usa mais de um resolvedor. Havendo diferenças de segurança ou filtragem entre eles, você fica com o nível mais fraco de todos; e, para manter a validação DNSSEC, é preciso usar só resolvedores que validem DNSSEC.

E vale fechar com o que continua igual depois da troca, porque é aí que nasce a maioria das frustrações: o DNS não conserta lentidão de plano, não corrige Wi-Fi fraco no cômodo distante e não tem efeito sobre aplicativo que fecha sozinho — se os apps do seu Android estão falhando, o diagnóstico está em por que o Google Play fecha sozinho.

Perguntas frequentes

O DNS do Google é seguro?

A Google descreve o Public DNS como um resolvedor validador e com reconhecimento de segurança: valida as respostas de zonas assinadas com DNSSEC e limita a taxa de consultas para conter ataques de amplificação. Segurança de resolução, porém, não é privacidade: as suas consultas passam a ser vistas pela Google, que registra o seu IP junto com a consulta e o exclui em 24 a 48 horas, podendo retê-lo por mais tempo para tratar segurança e abuso.

Qual é a diferença entre 8.8.8.8 e 8.8.4.4?

Nenhuma em termos de função: são dois endereços do mesmo serviço e a documentação afirma que a ordem não importa. A Google recomenda configurar pelo menos dois endereços para ter mais confiabilidade e adverte para não repetir o mesmo nos campos primário e secundário.

Preciso de conta Google para usar o DNS do Google?

Não. A documentação afirma que o uso do Google Public DNS não exige nenhuma conta e que nenhum dado armazenado fica associado a uma conta Google. A Google também declara que não usa essas informações para segmentar anúncios.

Posso digitar 8.8.8.8 no campo de DNS particular do Android?

Não. O campo de DNS particular pede o nome do host do provedor, não um endereço IP, e o nome que a Google documenta para o próprio serviço é dns.google. Para usar os endereços numéricos, o caminho é configurar o DNS de uma rede Wi-Fi específica ou mexer no roteador.

O DNS do Google funciona nos dados móveis?

Depende do sistema. No Android, o ajuste de DNS particular vale para o sistema inteiro, incluindo os dados móveis. No iPhone, a Google documenta que a alteração feita em Configurar DNS vale apenas para aquela rede Wi-Fi; para cobrir a rede da operadora, aponta um aplicativo de VPN que permita definir o servidor DNS.

Fontes


André Janes
André Janes

André Janes é jornalista formado e editor-chefe do Dicas Zone, blog de tecnologia que fundou em 2018. Especialista em redes sociais — Instagram, Facebook, WhatsApp e YouTube —, escreve guias práticos sobre privacidade, segurança de contas e o uso correto das plataformas, sempre indicando os caminhos oficiais. Apaixonado por tecnologia e jogos.

Leia também

AnTuTu: como ler a pontuação do seu celular (e o que ela não mede)
Android

AnTuTu: como ler a pontuação do seu celular (e o que ela não mede)

Caroline Dyuky · 3 ago 2026
Celular com melhor câmera: como escolher com critério técnico
Android

Celular com melhor câmera: como escolher com critério técnico

Caroline Dyuky · 2 ago 2026
Qual o melhor Samsung? O guia das linhas Galaxy para escolher a sua
Android

Qual o melhor Samsung? O guia das linhas Galaxy para escolher a sua

Ângelo Gabriel Melo dos Reis de Albuquerque · 2 ago 2026
Temas populares
Redes sociaisSegurança e privacidadeFotos e vídeosDesempenho e problemasJogos para celularContas e acessoPDF e documentosInteligência artificialCompras e internetMensagens e comunicaçãoÁudio e músicaStreaming e entretenimentoConsultas e serviçosJogos multiplayerJogos para PCAprender e produtividadeCheats e códigos